sábado, 14 de maio de 2011

Artigo de Marcos Sousa: Feliz :Universário




Hoje completei mais um ano de vida, alguns realmente vividos, outros não. Alguns meses engatinhando, outros andando, muitas horas de sono e outras tantas brincando. Alguns anos estudando, mais alguns trabalhando e outros viajando pelo Brasil. Foi um dia para receber mensagens de amigos maravilhosos espalhados por todo o Brasil. E dia também para pegar o carro, descer a serra para Curitiba e fazer o balanço de um pedacinho de vida.

Ao mesmo tempo em que eu dirigia e me recordava de passagens especiais da minha vida, observava na tela do GPS, equipamento que conectava meu carro a alguns satélites, todas aquelas informações dadas: minha localização, tempo de viagem, rota traçada, além dos quilômetros e horas que faltavam para eu chegar ao meu destino. A tecnologia é fantástica! O problema era que aqueles dados tão precisos não se referiam a mim, mas ao meu carro.

Enquanto eu percorria os olhos pelas paisagens de soja, cevada e araucárias, lembrei-me das aulas de Geografia, quando a professora tentava me ensinar o que era latitude e longitude. A única coisa que eu conseguia entender era que uma era horizontal e outra vertical. Só não sabia dizer quem era quem e acabava decorando para a prova. Só agora podia entender melhor vendo aquelas coordenadas na tela do GPS que eu estava a uma dada distância da Linha do Equador.

Sempre achei que a Linha do Equador tinha esse nome porque passava no país Equador e ficava perguntando à professora por que não usavam outro nome de país que também fosse cruzada por ela... Só depois de alguns anos descobri que o nome Equador vem do latim aequator, que significa igualar, fazer igual; ou aequare, que significa igual, mesmo tamanho. Enfim, a linha que divide o globo em duas partes iguais (hemisfério norte e sul) deu origem ao nome do país, e não o contrário... Acho que minha professora não sabia e mandava eu me calar.

Minha atenção variava entre a viagem que eu fazia naquela rodovia a uma velocidade máxima de 110 km/h e outra que eu percorria em minha mente a uma velocidade mínima de anos/segundos. Certo momento, imaginei que o GPS poderia exibir as mesmas informações em relação à minha vida e resolvi perguntar a ele:

Minha posição – Alguns diriam: “sentado com as mãos no volante”. Essa é fácil. Mas quero outra posição. Qual é meu momento atual? Qual é a foto atual da minha vida? Nem toda a “circuitaria” eletrônica de dez satélites seria capaz de responder. Experimente responder essa pergunta a si mesmo nesse final de semana. Dizer o que você está fazendo é fácil. Não quero que você me diga sua rotina, idade, cargo, endereço ou posição no Google Maps. Quero saber o placar de sua vida agora? Você está ganhando, empatando ou perdendo? “Tá mais pra lá do que pra cá”? “Tá aqui ou acolá”?

Muitas pessoas estão paradas, algumas andando para trás, outras em círculos, sem falar naquelas que se descobrirem onde estão entrarão em colapso. Mas descobrir onde estamos nos permite descobrir também quem somos e como percebemos nossa existência. O que estamos fazendo aqui nesse pedaço de chão? O que sou para os outros? Sou uma pessoa que faz a diferença? Enfim, muitas perguntas... O GPS já estava começando a ficar sobrecarregado.

Minha rota – Dizer quanto eu já caminhei não foi tão difícil, embora eu tenha me esquecido de muitos momentos, pessoas, lugares e acontecimentos especiais. Nossa mente não é tão precisa quanto aquele aparelhinho metido que não perde nada. Mas, pensando além, resolvi perguntar ao satélite se eu já tinha vivido o suficiente para minha vida. Ele nem me deu bola. Foi até bom, pois descobri que o peso do passado pode dificultar minha viagem, caso as lembranças sejam negativas... Carro leve anda mais. Corpo leve corre. Alma leve voa!

Como saberemos se vivemos o que tínhamos para viver? Outra pergunta muito difícil. Mais importante do que querer viver o que não viveu, ou já ficou para trás, é recomeçar e viver o que tem para ser vivido agora. Depois buscar algo mais. Buscamos preencher nosso tempo com muitas coisas e terminamos sem tempo para viver o segundo atual, o sabor da refeição, o sono do meio-dia, o prazer da sobremesa, o beijo dado no seu amor, o abraço recebido do filho, a paisagem que perdemos todos os dias ocupados em buzinar para o cara da frente... Quanta correria em rotas rotineiras, enquanto outras só são inéditas porque estamos de olhos fechados para experimentá-las.

Tempo de viagem – O tempo de vida é relativo, diria meu ‘cumpadre’ Albert Einstein. Dizer quantos anos meu “corpito” viveu é fácil. Dizer quantos anos da minha vida foram bem vividos e aproveitados é outra história... Mensagem na tela do GPS: Falha de Cobertura. Que nada! Nenhum satélite saberia me dizer quanto eu já vivi. Eu não teria como descrever todas as emoções vividas.

Como descobrir quanto eu já vivi? Perguntando às pessoas quantos segundos, horas e dias vivi para elas. Comece pela qualidade e não quantidade de tempo que você passa com sua esposa, marido e filhos. Enquanto você não fizer algo pelos outros antes de fazer por si mesmo, seu relógio está parado. Você não está vivendo. Está apenas sobrevivendo.

Tempo para meu destino – Vixe!! Aí ferrou! Deu falha total no sinal do satélite. Só Deus sabe, amigo! Nem eu saberia dizer se minha vida acabaria ali na próxima curva ou sessenta anos depois. Esse é o maior mistério da vida! Quanto tempo de vida ainda tenho? Por que pensar em anos se nem aprendi a aproveitar os próximos segundos da minha vida? Se pensarmos bem, nosso ato final já sabemos. Não tenho nenhuma pressa para chegar lá. E você?

Por fim, entre tantas conclusões a que cheguei, entendo hoje que mais importante do que querer saber tudo e todas as respostas é viver o que nós temos para ser vivido agora nesse momento, nesse final de semana, com quem amamos. Não importa quanto tempo eu ainda tenho, mas o que vou fazer desse tempo. Promova paz, luz, energia positiva, sentimentos nobres, amor, enfim, faça a diferença positiva em sua casa, empresa, cidade e mundo. Não importa quanto tempo você já viveu ou tem para viver, mas a qualidade e o resultado dessa vida que você vive. O Universo é a soma de todos nós. Ainda que você só tenha um dia de vida, o que você deixará para nós de obra? Como diria meu amigo Cortella, Qual é tua obra? Qual vida você escolherá ter a partir de agora? Vamos! Decida. O universo agradece!

Feliz “Universário”!
12/05/2011

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Marcos Antonio de Sousa, graduado em Engenharia Eletrônica e MBA em Administração de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Especialista em vários cursos nacionais e internacionais de vendas para o mercado de segurança eletrônica. Practitioner em PNL (Programação Neurolinguística). Atua como consultor de Marketing, Vendas e Estratégia Empresarial para as empresas do ramo de segurança. Consultor da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE). Colunista da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (ABSEG). Palestrante nos principais congressos, simpósios e eventos de segurança eletrônica e privada do país. Articulista nas revistas Proteger, Segurança & Cia, Venda Mais, Infra, SESVESP e Higi Press (ABRALIMP), Jornal da Segurança e Jornal SegNews. Autor dos livros: Vendendo Segurança com SEGURANÇA e CONFIDENCIAL – Coletânea de Artigos Sobre Segurança. 


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