sexta-feira, 12 de março de 2010

Eu não faço a mínimia idéia! - Artigo de Marcos Sousa

Eu não faço a mínimia idéia!

Hoje é Sexta-feira, a semana está acabando e eu ainda não escrevi meu artigo. Devo confessar que não tive idéia alguma, desde quarta-feira, quando comecei a pensar sobre o artigo. Mas não posso deixar meus leitores na mão nesse final de semana. Como não faço a mínima idéia do assunto que devo tratar no artigo, escreverei sobre idéias. Isso. Boa idéia! Qual é o efeito delas na vida das pessoas? Por que indivíduos e empresas sofrem com a carência repetitiva de idéias?

Se me perguntarem qual é a idéia que tenho para meu final de semana, tenho não só uma, mas uma dezena delas. Tenho mais dificuldade em ter idéias para o meu trabalho do que para meu lazer. Mente motivada é uma mente mais criativa. Agora, diga-me: qual foi a última grande idéia que você teve em seu trabalho? Faz quanto tempo? Quais foram os resultados obtidos pela empresa e, principalmente, qual foi seu ganho pessoal?

Até as Olimpíadas do México em 1968, a maneira usual de um atleta transpor o sarrafo no salto em altura era com a barriga para baixo (técnica de rolamento ventral) ou, ainda, passando primeiro uma perna e depois o resto do corpo (salto tesoura). Qual era o recorde olímpico anterior a 1968? 1,73 metros. Tudo mudou quando um atleta de 21 anos de idade, chamado Dick Fosbury, elevou o recorde para 2,24 metros e surpreendeu o mundo. O que ele fez? Em vez de virar-se de frente para o sarrafo, ele virou de costas, lançou as pernas para o alto e passou todo seu corpo sobre a fasquia (sarrafo).

Enquanto muitos se perguntavam “Como saltar mais alto?”, Fosbury se perguntou “POR QUE não saltar de costas?” e conseguiu saltar mais alto do que todos, pensando exatamente o contrário de todos. E já fazia séculos que ninguém pensava diferente. Até hoje a técnica é usada nas competições e foi batizada de salto Fosbury. Vamos esperar até que alguém tenha outra idéia.

Uma idéia para ser boa precisa primeiro acontecer, pois muitas não saem do papel, ou sequer da cabeça do iluminado. Idéia boa é uma solução nova e criativa para um problema velho. As pessoas perdem mais tempo criando novos problemas do que novas idéias para velhos problemas. Até mesmo uma idéia ruim executada pode render mais frutos do que uma boa não aplicada.

Triste da empresa que só a diretoria tem idéias. O problema é que muitos desses diretores simplesmente não motivam ou estimulam seus colaboradores a terem também suas idéias. Alguns preferem pensar sozinhos: “Você é pago para trabalhar, não para pensar”. Resultado? De onde menos se espera é que não vai sair nada mesmo. Pensa o colaborador: “Por que vou perder meu tempo pensando para a empresa? Não ganho nada! Prefiro pensar em quantas cervejas e quilos de carne vou comprar para o final de semana”.

Pensar todos pensam, apontar soluções todos apontam. Mas é preciso desenvolver na empresa um ambiente que estimula, valoriza e recompensa novas idéias. Quanto vale uma idéia? Depende! Na década de 80, o austríaco Dietrich Mateschitz, executivo de uma multinacional, ficava muito desgastado com o fuso horário nas freqüentes viagens que realizava, e passou a tomar um tônico cafeinado, popular entre os taxistas e trabalhadores da construção civil que enfrentam longas jornadas.

Embora o gosto não lhe parecesse muito agradável, ele voltou à Áustria com a idéia de criar um novo energético mais adaptado ao sabor europeu. Diminuiu o açúcar, caprichou na cafeína, gaseificou e colocou a bebida numa embalagem metálica com cores azul e prateada. Seu nome? Red Bull. Foi muito difícil e desmotivante, pois todos estranhavam o sabor, nome, logotipo e o propósito da bebida. Para começar, ninguém conseguia ver a cor do líquido dentro da garrafa.

O que ele fez? Continuou em frente, acreditando em sua idéia e hoje a bebida é um sucesso mundial de vendas e marketing. Suas vendas anuais totalizam mais de 30 bilhões de dólares, mais de 3,5 bilhões de latinhas vendidas e o homem está na lista dos bilionários da revista Fortune. “Red Bull te dáááá aaaasas!”. Segundo o próprio austríaco que hoje tem 65 anos, “Para se obter sucesso, é necessário ter mente limpa e um brilho nos olhos. Não há verdades absolutas. Nós questionamos tudo”. Mais uma dica: idéias advêm de pessoas questionadoras, inquietantes e inconformadas.

Por um lado, a diretoria deve estimular e estabelecer um canal de idéias e inovações dentro da empresa. Quem investe tempo pensando na empresa, apresenta idéias e produz resultados melhores, deve ser bem recompensado, inclusive, para servir de exemplo para outros que passam o dia “pensando na morte da bezerra ou no paredão do Big Brother”. Reúna seu pessoal e coloque todos para queimarem a “cachola”. É preferível que tenham 99 idéias ridículas e uma grande idéia implementada a ter 100 idéias simplesmente boas, mas não implementadas ou, pior, nenhuma idéia. Atualmente, muitas empresas dependem mais da mente-de-obra do que da mão-de-obra.

Por outro lado, você que trabalha na empresa precisa colaborar mais com ela e consigo mesmo, independentemente da recompensa. Se você tem grandes idéias e ninguém valoriza, tenha outra grande idéia: peça demissão e procure outra empresa. Ou, então, pegue sua idéia e monte seu próprio negócio. Mas não se cale, nem deixe de alimentar novas idéias. O mercado sempre terá portas abertas para quem tem atitude empreendedora e inovadora.

Enfim, você tem 86 bilhões de neurônios disponíveis na “cachola” para cultivar novas idéias que te darão asas. Você não faz idéia de como seu amanhã depende das idéias que você tem hoje. Elas transformam o mundo ao nosso redor. Quem sabe você não tenha uma grande idéia em sua mente aguardando para ser revelada ao mundo. Não desista dela tão cedo... Fico imaginando o Fosbury tomando Red Bull em 1968 antes do salto.

Uma idéia também te dáááá aaasas!!!!

05/03/2010

Marcos Antonio de Sousa, graduado em Engenharia Eletrônica e MBA em Administração de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Especialista em vários cursos nacionais e internacionais de vendas para o mercado de segurança eletrônica. Atua como consultor de Marketing, Vendas e Estratégia Empresarial para as empresas do ramo de segurança. Consultor da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE). Conferencista em eventos realizados pela FENAVIST (Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores). Colunista da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (ABSEG). Palestrante nos principais congressos, simpósios e eventos de segurança eletrônica e privada do país. Articulista no Jornal da Segurança e SegNews, nas revistas Proteger, Venda Mais, Infra, Segurança&Cia, SESVESP, Security, Higi Press (ABRALIMP) e Negócio Fechado (Japão). Autor do livro: Vendendo Segurança com SEGURANÇA.

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