quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ladrões ameaçam a segurança em prédios

18 de fevereiro de 2010 - N° 16250

FIM DO SOSSEGO

Ladrões ameaçam a segurança em prédios

Ao invadir com chaves um edifício no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, e arrombar quatro dos seis apartamentos durante o Carnaval, criminosos levaram mais do que bens materiais dos moradores. Carregaram junto a tranquilidade aparente de morar em um condomínio, antes sinônimo de lar inviolável para quadrilhas acostumadas a atacar residências na ausência dos proprietários ou inquilinos.

Um arrastão no interior de um prédio erguido em bairro de Porto Alegre causou mais do que prejuízos financeiros a seus moradores, que só perceberam o golpe quando voltaram do Carnaval, no final da tarde de terça-feira.

Ao saber que o portão de ferro e a porta de acesso ao edifício não haviam sido arrombados e que os ladrões possivelmente tinham cópias das chaves, inquilinos e proprietários viram cair por terra a sensação de segurança associada à vida em apartamento.

Passava das 18h de terça-feira quando o síndico do edifício, que tem 55 anos e pediu para ter seu nome preservado, chegou em casa, no bairro Petrópolis. Até a porta de seu apartamento, no terceiro e último andar do prédio, na Rua Guaporé, não notou nada de errado. Ao inserir a chave na fechadura, porém, percebeu que faltava o miolo:

– Olhei para o lado, e a porta do vizinho estava igual. Na hora, percebi que tinham feito uma limpa. Por sorte, não tinha nenhum morador aqui.

Avisados pelo síndico, os outros moradores apressaram a volta do feriado em função do susto. Um médico de 50 anos que retornava do Litoral Norte com a mulher, que é cardiologista, deparou com a porta do apartamento escancarada. Para desespero do proprietário, a chave do New Civic sumira. Assim como o carro, que estava na garagem.

– Ficamos muito preocupados, ainda mais porque sabemos que os ladrões tiveram acesso fácil ao prédio – disse o médico.

Dos seis apartamentos do edifício, que não tem porteiro nem câmeras de vigilância, quatro foram invadidos pelos ladrões e tiveram computadores, filmadoras, joias, impressoras, roupas e TVs, entre outros bens, furtados. Um vizinho teria visto uma luz acesa no local por volta da 0h de domingo, mas não desconfiou de nada.

Das duas moradias poupadas pelos ladrões, uma chegou a ter a fechadura danificada, mas, segundo o síndico, foi salva por uma segunda tranca. O outro apartamento, no primeiro andar, que estava para alugar, não foi violado.

– Sequer encontramos marcas na fechadura. Eles sabiam que não havia nada ali e nem tentaram arrombar – afirmou o inspetor Renato Martins, da 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento da Capital.

Moradores tentarão deixar prédio menos vulnerável

Embora outras pessoas tivessem acesso às chaves, os moradores desconfiam de que os criminosos possam ter conseguido cópias do molho ao retirá-lo na imobiliária, sob o pretexto de visitar o apartamento.

Procurada por Zero Hora, a Crédito Real informou que o apartamento de cem metros quadrados está para alugar desde 9 de dezembro por R$ 1,5 mil mensais e que, por não ser mobiliado, as visitas não recebem acompanhamento – mas os interessados são obrigados a preencher um cadastro completo, com nome, telefone, endereço e CPF, além de deixar cópia da identidade. Ao todo, até ontem, 28 pessoas visitaram o imóvel.

Titular da 8ª Delegacia da Polícia Civil, o delegado Ivan Carlos da Mota disse que não descarta a hipótese levantada pelas vítimas, mas que é cedo para tirar uma conclusão. Mota já começou a ouvir os moradores e aguarda o resultado de perícias feitas no local do crime, especialmente de impressões digitais, para estabelecer a linha de investigação.

Assustados com os acontecimentos, os moradores do prédio discutiam, ontem, medidas para reforçar a segurança. Além de trocar as fechaduras, estudavam a possibilidade de instalar câmeras e alarmes.

– O mais preocupante não é perder bens materiais. É a insegurança que fica depois de tudo o que aconteceu – concluiu um morador.

Visitas não recebem acompanhamento
– mas os interessados são obrigados a preencher um cadastro completo, com nome, telefone, endereço e CPF, além de deixar cópia da identidade. Ao todo, até ontem, 28 pessoas visitaram o imóvel.

Titular da 8ª Delegacia da Polícia Civil, o delegado Ivan Carlos da Mota disse que não descarta a hipótese levantada pelas vítimas, mas que é cedo para tirar uma conclusão. Mota já começou a ouvir os moradores e aguarda o resultado de perícias feitas no local do crime, especialmente de impressões digitais, para estabelecer a linha de investigação.

Assustados com os acontecimentos, os moradores do prédio discutiam, ontem, medidas para reforçar a segurança. Além de trocar as fechaduras, estudavam a possibilidade de instalar câmeras e alarmes.

– O mais preocupante não é perder bens materiais. É a insegurança que fica depois de tudo o que aconteceu – concluiu um morador.

 
JULIANA BUBLITZ

Os números

ATAQUES A RESIDÊNCIAS:

- No Estado  Crime 2008 2009 Variação (%)

Roubo 1.877 1.986 +5,8

Arrombamento 23.101 21.076 -8,8

- Em Porto Alegre

Crime 2008 2009 Variação (%)

Roubo 245 249 +1,6

Arrombamento 2.207 1.721 -22

DIFERENÇA DOS CRIMES

- Roubo :Acontece quando os moradores ou funcionários do prédio são feitos reféns durante o ataque, o que aumenta o trauma

- Arrombamento : Acontece na ausência dos moradores

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