domingo, 27 de dezembro de 2009

“Eles faziam ameaças de morte e de estupro’’

27 de dezembro de 2009 | N° 16198

LARES EM RISCO

“Eles faziam ameaças de morte e de estupro’’

Músico de 27 anos, vítima do ataque do dia 19 de dezembroMorador de prédio no bairro Mont’Serrat, músico de 27 anos que pediu para não ser identificado ficou refém de assaltantes por três horas e 30 minutos em ataque no dia 19. Ele conta que os criminosos planejaram a ação com antecedência.


Zero Hora – Como vocês foram rendidos?


Músico – Eles foram de apartamento em apartamento. Apontavam armas para a cabeça da gente. Fizeram todos seguir em fila até um dos apartamentos, que chamavam de base. Lá, usaram lacres de plástico para imobilizar mãos e pés. Contaram que passaram seis meses planejando o ataque. Eles usavam pistolas, e um deles acho que uma Uzi (submetralhadora de fabricação israelense). Usavam rádio e escutavam a polícia por eles.


ZH – Eram violentos, faziam ameaças?


Músico – Sim, eram. Mas não estavam descontrolados. Dos sete, apenas um estava mais agitado. Os demais distribuíam coronhadas para intimidar. Eu tomei duas. Eles queriam dinheiro e armas, pareciam saber o que alguns tinham em casa. Para pressionar, faziam ameaças de morte e de estupro contra as mulheres que estavam ali. Quando foram embora, um deles disse: “Fiquem calmos que ligaremos para a Brigada Militar, que em 20 minutos, estará aqui’’. Depois, o cara se despediu com um tchau irônico.


ZH – E o que mais falavam?


Músico – Teve um momento em que um disse assim: “Esse é meu trabalho, estou aqui porque o Lula não me deu condições para sustentar meus filhos’’. Então, um vizinho meu argumentou que tinha trabalhado duro, que abriu mão de ter filhos para poder ter um pouco mais de condições de vida, que passou por dificuldades quando jovem. Eles riram. Queriam passar a ideia de que aquela crueldade se tratava de um luta de classe, chegaram a falar em distribuição de riqueza.


ZH – Você pensa em mudar de endereço?


Músico – Não. Aqui é minha casa. A gente não consegue esquecer porque ocorreu aqui mesmo, mas não se pode deixar vencer pelo medo. O negócio é tentar esquecer e tocar a vida para frente.



Nenhum comentário: