quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Artigo de Marcos Sousa: GREVE DE VENDEDORES paralisa o Brasil!

GREVE DE VENDEDORES paralisa o Brasil!

Outro dia, ao ligar a televisão à noite, deparei-me com o casal William Bonner e Fátima Bernardes, noticiando no Jornal da Record: Greve de vendedores paralisa o comércio e compromete o abastecimento de famílias e empresas brasileiras! Vendedores cruzam os braços em prol de aumento e reivindicam perdas acumuladas nos últimos anos. A tropa de choque da polícia, armada com gás lacrimogêneo, spray de pimenta e cassetetes, já está a postos para reprimir os protestos e o conflito será inevitável...

Só então, ao acordar assustado, percebi que toda essa cena não passava de um sonho (ou pesadelo). O pior é que eu não sabia o que tinha me assustado mais: ver o casal 20 do jornalismo brasileiro na TV Record, ou presenciar, pela primeira vez em minha vida, uma greve de vendedores. Nem preciso dizer que não consegui mais dormir e passei a noite em claro pensando o porquê de até hoje nunca ter visto uma greve de vendedores. E você? Já viu alguma? Já parou para pensar por que não há greve de vendedores?

Veja se você consegue imaginar a cena que me fez perder o sono. Vários vendedores gritando em uníssono: “Queremos aumento! Queremos aumento!”. Um piquete formado e cartazes com as seguintes frases: VENDEDORES UNIDOS jamais serão vencidos! Por uma COMISSÃO MAIOR! Diga NÃO AO DESCONTO! Estabilidade JÁ! Abaixo à DISCRIMINAÇÃO! Queremos MAIS BRINDES! MAIS COMBUSTÍVEL! Sem falar em imagens de São Ficário (padroeiro dos vendedores lojistas), São Tiago (padroeiro dos vendedores de sapatos) e até “Padim Cícero” sendo erguidas como armas contra os policiais. Uma fogueira de contracheques e contas a pagar sendo queimadas em barricadas...

Meu amigo, acredito que você nunca a tenha visto e, provavelmente, nunca vai vê-la. Mas se você já viu alguma greve nacional de vendedores, por favor, avise-me e me envie a reportagem, pois não me lembro de nehuma.

Em primeiro lugar, vendedor comissionado é uma das poucas profissões onde você tem influência direta e imediata sobre seu salário. Ou seja, o funcionário diz quanto quer ganhar no final do mês e corre atrás. Quem quer ganhar mais tem que trabalhar mais. Simples! Acordar mais cedo, dormir mais tarde, cair em campo e intensificar os esforços. Quem quer ganhar mais deve investir em mais competência, aprimoramento constante, relacionamento, atitude e atendimento excelente.

Em segundo lugar, não faltam empregos para vendedores competentes. Ao contrário, as empresas disputam esse profissional. O vendedor que fica sempre na última posição do ranking de vendas não pode culpar o mercado, pois na mesma empresa o líder em vendas goza de salários e comissões generosas. Ele troca de carro, casa, roupa, celular, penteado, esposa (marido), viaja todos os anos... Dinheiro não é problema para vendedores campeões. O problema desses vendedores é dar conta de tantos clientes que ligam procurando seus produtos e serviços.

Em terceiro lugar, todos sabem que devem procurar servir e trabalhar mais se quiserem ganhar mais. Não tem para onde correr. Quem quer mais contratos tem que desenvolver mais contatos. Vender gera comissão. Mas ajudar e servir às pessoas gera clientes e fãs. Mesmo quando o vendedor está na empresa errada, vendendo o produto errado, ainda pode apresentar um grande resultado e ser contratado por outra melhor e maior. Vendedor competente não precisa competir por emprego, pois já competiu e conquistou muitos clientes e renome no mercado.

Em quarto lugar, quem não nasceu para ser vendedor, não dura muito no emprego, pois é o primeiro a pedir demissão e dificilmente volta a trabalhar como vendedor. Então, não tem mesmo muito do que reclamar. É pegar o chapéu e se mandar. “PEDE PRA SAIR ZERO DOIS!” – dirão alguns gerentes Nascimentos. A pressão é muito forte por resultados. O tempo é curto. A concorrência é devastadora. A pressão pelo preço baixo é diária. Sem falar na família para criar, contas atrasadas, ex-mullher, ex-marido, carro detonado, pensão alimentícia...

Em quinto lugar, dificilmente veremos vendedores paralisarem as visitas e propostas para ficarem fazendo piquetes pelo aumento de salário e comissão. Eles sabem que mesmo uma comissão pequena pode produzir muito dinheiro, no final do mês, se o montante vendido for muito alto. Greve de vendedores não, mas de competência eu já vi várias na área de vendas.

Por último, muitos vendedores já sabem que tem alguns vendedores espertos só esperando uma paralisação para visitar os clientes da concorrência e vender mais. Pense numa classe desunida!
Realizo treinamentos nos sindicatos para vendedores e já ouvi várias vezes de alguns vendedores que não foram ao evento: “Aproveitei que toda minha concorrência estava no seu curso durante todo o dia e visitei o dobro de pessoas para vender mais”. Dá para acreditar que um cara desses vai fazer piquete e enfrentar uma tropa de choque?

Portanto, amigo, se você está insatisfeito com seus resultados de vendas, comece desde já a desenvolver mais competência, ler mais livros, fazer cursos, investir em networking, servir mais às pessoas e, principalmente, a solucionar os problemas de seus clientes. Aprenda com os campeões em vendas, que jamais perderão tempo fazendo greves. Ou então, "PEDE PRA SAIR!" Afinal, é mais fácil você ver William Bonner e Fátima Bernardes na TV Record do que uma greve nacional de vendedores.

Vendedores, UNI-VOS!

23/09/2009

Marcos Antonio de Sousa, graduado em Engenharia Eletrônica e MBA em Administração de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Especialista em vários cursos nacionais e internacionais de vendas para o mercado de segurança eletrônica. Atua como consultor de Marketing, Vendas e Estratégia Empresarial para as empresas do ramo de segurança. Consultor da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE). Conferencista em eventos realizados pela FENAVIST (Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores). Colunista da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (ABSEG). Palestrante nos principais congressos, simpósios e eventos de segurança eletrônica e privada do país. Articulista no Jornal da Segurança e SegNews, nas revistas Proteger, Venda Mais, Infra, Segurança&Cia, SESVESP, Security, Higi Press (ABRALIMP) e Negócio Fechado (Japão). Autor do livro: Vendendo Segurança com SEGURANÇA. E-mail: marcos@consultesousa.com

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