segunda-feira, 13 de abril de 2009

Medo em centros de comprasDesde sábado pela manhã, assaltantes atacaram dois shoppings, hipermercado e galeria

13 de abril de 2009 | N° 15937

PORTO ALEGRE

Medo em centros de compras

Desde sábado pela manhã, assaltantes atacaram dois shoppings, hipermercado e galeria

Em menos de 24 horas, quatro centros de compras foram atacados por criminosos na Capital. Entre a manhã de sábado e a madrugada de ontem, foram alvo de assaltantes um hipermercado e cinco joalherias instaladas em três centros comerciais. Duas das lojas funcionam em shopping centers, considerados pela população como locais teoricamente seguros contra assaltos. Houve correria e pânico.

– Ninguém sabia o que fazer nem onde se esconder – contou Igor Fraga, 20 anos.

A polícia não descarta ligação entre alguns dos crimes e investiga a possível ação de uma quadrilha especializada em joias.

Sábado, 18h20min Avenida Ipiranga

Uma ação que durou menos de cinco minutos levou pânico aos frequentadores e comerciantes do Bourbon Shopping, na Avenida Ipiranga. Segundo a Brigada Militar, três homens armados entraram na joalheria Coliseu e anunciaram o assalto. Em seguida, começaram a quebrar a vitrine com coronhadas para retirar os produtos que estavam em exposição, como brincos e correntes.

Enquanto isso, um quarto integrante do grupo rendia um segurança do shopping, encostando uma arma contra o queixo dele. Ainda não se sabe qual o valor roubado em mercadorias. Segundo a polícia, essa é a terceira vez que a loja é assaltada.

A cena foi presenciada pelo vendedor Guilherme de Oliveira, 18 anos, que trabalha no quiosque em frente à loja.

– Estava trabalhando quando vi o segurança com uma arma na cabeça. Logo em seguida me abaixei e fiquei apenas ouvindo o pessoal gritar e correr. Quando levantei, a brigada já estava chegando – lembra.

Alguns metros dali, Igor Fraga, 20 anos, se assustava ao ver dezenas de pessoas correndo em direção à loja onde trabalha.

– Não dava para entender nada, até que consegui ver a cena rapidamente. Vi um rapaz com arma na cabeça e barulho de vidros sendo quebrados. Ninguém sabia o que fazer nem onde se esconder – conta.

O pânico se espalhou pelo shopping alterando a rotina inclusive de quem estava nas lojas e nas salas de cinema.

Os homens fugiram pela porta de saída que fica ao lado da joalheria, onde o quinto comparsa estaria esperando em um Marea branco, com placas falsas. A polícia, que fazia ronda na região, chegou a perseguir o carro.

A Brigada Militar suspeita de que o grupo tenha ligação com o assalto a uma joalheria no Shopping Total, no bairro Floresta, na manhã de sábado.

– Tudo indica que sim, mas estamos esperando as imagens para comparar a ação. Não temos como afirmar – afirma o tenente Álvaro Pereira.

Sábado, 10h30min Cristóvão Colombo

No Shopping Total, discretos e despreocupados com as câmeras de segurança, dois homens armados atacaram a joalheria Ajax. Segundo o chefe de investigações da Delegacia de Roubos, Edison Ferreira, se passando por clientes, a dupla chegou à loja e rendeu a funcionária que estava no caixa do estabelecimento. Além de joias e relógios que estavam na vitrine e nos balcões, os assaltantes também levaram mercadorias que eram guardadas no cofre. A ação durou poucos minutos.

– Eles saíram sem despertar suspeitas dos seguranças, que só depois foram acionados por funcionários da joalheria – conta Ferreira.

Segundo ele, as imagens da circuito de TV são ruins, mas, mesmo assim, devem auxiliar na investigação do caso e da possível relação com o assalto no Bourbon Shopping.

– O modo de agir foi diferente, mas são incomuns ataques a joalherias em shoppings, por isso, vamos investigar se foram praticados pelo mesmo bando – diz Ferreira.

Ontem, 1h, Vigário José Ignácio

No começo da madrugada, quatro encapuzados, dois deles armados, invadiram três lojas da Galeria do Rosário, no centro da Capital.

Os ladrões renderam o vigilante do local e o mantiveram de cabeça baixa, sentado em uma cadeira. Em seguida, romperam as grades de ferro que ficam na parte superior das joalherias Visart, Krisley e Charme Presentes. De lá, levaram mercadorias como óculos, anéis, brincos e pulseiras em ouro e prata.

Ao deixar o local, o grupo ainda trancou os cadeados das saídas da galeria e levou as chaves.

Ninguém foi preso. A polícia não tinha informações do montante levado pelos criminosos. O caso está sendo investigado pela 17ª DP (Centro).

Ontem, 1h Plínio Brasil Milano

Outro ataque ousado no final de semana aconteceu no hipermercado Carrefour, na Avenida Plínio Brasil Milano, na zona norte da Capital. Conforme o chefe de investigações da 9ª Delegacia da Polícia Civil (bairro IAPI), Jorge Rubim, uma quadrilha composta por cerca de oito homens rendeu seguranças e funcionários da limpeza que trabalham no local após o final do expediente.

Os primeiros depoimentos de reféns revelam que três assaltantes teriam entrado no hipermercado, por volta das 23h30min de sábado, se passando por clientes. O trio teria se escondido em um banheiro e só atacado uma hora e meia depois, rendendo os 10 funcionários que permaneciam no local. Neste momento, outros cinco homens armados teriam entrado no hipermercado em uma Kombi. Em seguida, todos os reféns foram colocados em uma sala no primeiro andar.

Conforme Rubim, os bandidos teriam permanecido no local por cerca de três horas e levado as gravações das câmeras de segurança. Além de equipamentos eletrônicos, os ladrões roubaram o dinheiro guardado em três cofres, abertos com maçaricos.

Ataque se assemelha a outro registrado no Natal

Ameaçados de morte pelos criminosos, os funcionários só saíram da peça e avisaram a Brigada Militar cerca de uma hora depois que os assaltantes fugiram. Apesar de não ter sido divulgado pela empresa, a Polícia Civil acredita que tenham sido levados mais de R$ 100 mil em dinheiro. Por meio de uma nota, a assessoria de comunicação do Carrefour lamentou o episódio.

O ataque foi semelhante a outro ocorrido no mesmo local em 24 de dezembro. Naquele assalto, também ocorrido na madrugada, dois dos assaltantes se apresentaram na portaria com uniformes e crachás do Carrefour. Sem despertar suspeitas, eles sacaram as pistolas e renderam 16 funcionários. O bando, formado por cerca de 20 homens, utilizou um caminhão-baú para levar mercadorias como TVs de plasma, notebooks, celulares de última geração e eletrodomésticos. Seis pessoas chegaram a ser presas temporariamente ao longo da investigação, mas o caso ainda não foi concluído.

– Acreditamos que os casos estejam relacionados – afirma Rubim.

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