terça-feira, 4 de novembro de 2008

Roubo de carros e seqüestro mostram a audácia dos bandidos!

Anúncios de carros e mercadorias baratas levam para a morte


30/10/08

Seqüestradores que usam anúncios em jornais têm prisão preventiva decretada

A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de uma quadrilha de seqüestradores que usa anúncios de jornal para atrair suas vítimas. Segundo a polícia, o bando atrai comerciantes e empresários com anúncios falsos em jornais. Neste ano, três casos foram registrados. Parte do bando foi identificada e presa. Dois estão foragidos. Segundo a polícia, os criminosos agem sob comando de um preso que cumpre pena no Paraná.

Uma família procura desesperadamente por uma das vítimas, um homem que foi seqüestrado em abril. Manoel Martins de Oliveira, de 74 anos, é comerciante em Goiânia. Ele foi atraído para São Paulo por um anúncio publicado em 30 de março que prometia carro importado 30% mais barato do que o preço de mercado.

Na manhã de 1º de abril, Manoel pegou um avião rumo a São Paulo com a passagem de volta comprada para o fim da tarde. Ele combinou com a família que ia telefonar assim que fizesse o pagamento do veículo. Mas, na primeira ligação feita de São Paulo, o comerciante disse que tinha caído em uma armadilha e estava em poder de seqüestradores.

A Divisão Anti-Seqüestro de São Paulo descobriu que o último telefonema dele partir de uma área de mangue e mata fechada em Cubatão, na Baixada Santista. O acesso é bem complicado. A convicção de que Manoel foi levado para o local é reforçada pelo fato de que outras vítimas dessa mesma quadrilha passaram por cativeiros na mesma área.

Os criminosos exigiam um depósito imediato. O dinheiro foi depositado na conta de uma empresa que funcionava em Belo Horizonte. Os donos estão presos, mas o comerciante não voltou mais. "Ele diziam que estavam batendo nele, que ele estava no meio do mato, no relento", conta Jorge Pereira Sobrinho, genro do comerciante.

Mais vítimas

Outra vítima, José Paulo Costa, ficou no mesmo local. "Os caras iam matar, isso aí não tem dúvida", diz ele. Foi um anúncio de matéria-prima para a indústria que chamou a atenção de Costa. Imagens mostram quando ele aparece com os seqüestradores, enquanto eles ainda se identificavam como vendedores.

Convidado para ver a mercadoria na Baixada, José Paulo acabou refém junto com um amigo. Mas ele conseguiu fugir do cativeiro. Manoel, o comerciante de Goiânia dificilmente se arriscaria. Ele teve paralisia e usava duas bengalas.

"Ele não conseguiria andar uma distância longa, porque ele sentia muita dor na perna, e nem em um local de difícil acesso ele conseguiria [andar]", diz Helenildes Marques, filha de Costa.

Os seqüestradores agiram também em abril. Um empresário do Rio de Janeiro foi à Baixada Santista para negociar um carro que a quadrilha anunciou. No encontro, os dois seguranças dele foram mortos. O empresário escapou.

"Nós estamos intensificando aqui a busca pelos que ainda estão foragidos, no caso, dois identificados, que poderão sim dar a localização exata do cativeiro onde ficou Manoel", afirmou o delegado Wagner Giudice.

A angústia da família já dura mais de seis meses. É uma dor que parece sem fim. "A gente jantava, depois vinha assistir televisão. Eu em uma poltrona, ele na outra. Hoje eu sento, e o lado dele fica vazio. [Ele faz] muita falta para os netos, muita falta para os filhos, porque ele era muito família, sabe? Acabou com a vida da gente. A gente não tem mais alegria para nada", diz Maria Rosa Oliveira, a mulher do comerciante.



Fonte: G-1

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