domingo, 13 de agosto de 2006

A ressurreição dos roubados - Roubo e furto de veículos SA - Por Andrei Neto(ZH)

A montadora do crime transforma sucata importada de outros Estados em carros ressuscitados. Para fazer andar a linha de montagem dos chamados salvados, os ferros-velhos utilizam veículos encomendados a quadrilhas especializadas no furto e no roubo de carros.
Dados obtidos pela Subcomissão do Aumento do Roubo e Furto de Veículos da Câmara Federal indicam que empresários do crime negociam carros pelo país. O esquema foi descoberto com auxílio de investigadores e informantes. Caminhões-cegonha com carros acidentados ingressaram no Rio Grande do Sul e foram parar em desmanches do Interior.
Procedentes de diferentes Estados - em especial Paraná e São Paulo -, esses veículos viraram sucata por envolverem-se em acidentes com perda total e receberam baixa (foram retirados dos sistemas de informática dos departamentos estaduais de trânsito). A prática de "ressuscitar" carros, permitindo que voltem a circular, é proibida.
Nos caminhões, sucatas de Gol, Palio, Kombi, Tempra e Tipo, entre outros, foram identificadas pelos números de chassi e de motores no posto da Receita Estadual de Erechim, entre 2004 e 2005. Liberados, seguiram rumo a desmanches em Ijuí e São Borja.
Nos ferros-velhos, os veículos recebiam peças usadas - o chamado "salvamento" - e eram devolvidos ao mercado. As peças são retiradas de carros roubados e furtados.
- Verificamos que empresas do Estado estão trazendo sucata, restaurando e esquentando veículos, para depois revendê-los aqui ou em outros Estados - explica Paulo Pimenta, deputado federal pelo PT e coordenador da subcomissão da Câmara.
Foram identificados veículos nessa situação em Caxias do Sul, Canguçu, Sarandi e Giruá (no Estado), São José e Indaial (SC) e Ibiá (MG). Mais de 60 automóveis salvados aqui são investigados. Os desmanches envolvidos respondem a inquéritos ou processos por receptação e adulteração de sinais identificadores.
- As transferências de peças acontecem entre Estados a todo momento, incluindo motor e caixa de câmbio. Nos desmanches, ficam a lataria e o que pode ser aproveitado sem permitir a identificação dos carros - explica Mário Sérgio Bradock, deputado estadual e delegado de uma força-tarefa que investigou desmanches no Paraná.
O tráfico interestadual de peças é admitido pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais.
- É possível - diz Eduardo de Oliveira Cesar, delegado de Furto e Roubo de Veículos no Estado.
As revelações da subcomissão indicam desmanches gaúchos como reincidentes no intercâmbio de peças com São Paulo, Rio e Espírito Santo. Devido à falta de integração dos sistemas de informática dos Detrans e das polícias, veículos roubados em uma região do país não são identificáveis em outra. Assim, trafegam livremente, afirma Carlos Bedim de Oliveira, 55 anos, supervisor da Receita Estadual de Torres: - Cobertas por documentação fiscal e com aparência de legalidade, cargas de veículos seguem para onde quer que seja.

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